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Combater a poluição e as alterações climáticas na Europa melhorará a saúde e o bem-estar dos cidadãos, especialmente dos mais vulneráveis

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Notícias Publicado 2020-09-08 Modificado pela última vez 2020-09-09
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Photo: © Chanan Greenblatt on Unsplash
A poluição atmosférica e sonora, os impactos das alterações climáticas (taiscomo as vagas de calor) e a exposição a produtos químicos perigosos provocam problemas de saúde na Europa. A presença de ambientes de má qualidade é responsável por 13 % das mortes, de acordo com um importante estudo de avaliação sobre a saúde e o ambiente, hoje publicado pela Agência Europeia do Ambiente (AEA).

Embora vejamos melhorias no ambiente na Europa e uma clara focalização do Pacto Ecológico num futuro sustentável, o relatório indica que é necessária uma forte ação para proteger os mais vulneráveis da nossa sociedade, uma vez que a pobreza está frequentemente associada à vivência em más condições ambientais e em más condições de saúde. Todas estas relações devem ser tomadas em conta numa abordagem integrada para uma Europa mais inclusiva e sustentável

Hans Bruyninckx, Diretor Executivo da AEA

Melhorar a saúde e o bem-estar dos cidadãos europeus é mais importante do que nunca, com a atenção atualmente consagrada à resposta à pandemia da COVID-19. A situação da pandemia permite-nos apercebermo-nos da complexa teia de relações existente entre o ambiente, os sistemas sociais e a nossa saúde.

De acordo com o relatório da AEA «Ambiente saudável, vida saudável: o modo como o ambiente influencia a saúde e o bem-estar na Europa», parte significativa dos encargos com doenças na Europa continua a ser atribuída à poluição ambiental resultante da atividade humana. O relatório, que se baseia amplamente nos dados da Organização Mundial da Saúde sobre as causas de morte e de doença, salienta que a qualidade do ambiente na Europa desempenha um papel fundamental na determinação da nossa saúde e bem-estar. Mostra-nos como a precariedade social, os comportamentos pouco saudáveis e as alterações demográficas na Europa influenciam a saúde ambiental, sendo os grupos mais vulneráveis os mais duramente atingidos.

«Existe uma relação clara entre o estado do ambiente e a saúde da nossa população. Todos temos de compreender que, ao cuidar do nosso planeta, contribuímos para salvar não só os ecossistemas, como também a vida das pessoas, especialmente das mais vulneráveis. A União Europeia está empenhada em seguir esta abordagem e, com a nova Estratégia de Biodiversidade, o Plano de Ação para a Economia Circular e outras iniciativas futuras, estamos a caminho de construir uma Europa mais resiliente e mais saudável para os cidadãos europeus e não só», afirmou Virginijus Sinkevičius, Comissário para o Ambiente, Oceanos e Pescas.

«A COVID-19 foi mais uma chamada de atenção, que nos permitiu reconhecer de forma contundente a relação entre os nossos ecossistemas e a nossa saúde, assim como a necessidade de encarar o facto de que a forma como vivemos, consumimos e produzimos é prejudicial para o clima e tem um impacto negativo na nossa saúde. Desde a nossa Estratégia do Prado ao Prato, em defesa de um sistema alimentar sustentável e saudável, até ao futuro Plano europeu de luta contra o cancro, assumimos um forte compromisso de proteger a saúde dos nossos cidadãos e do nosso planeta», afirmou Stella Kyriakides, Comissária para a Saúde e Segurança dos Alimentos.

«Embora vejamos melhorias no ambiente na Europa e uma clara focalização do Pacto Ecológico num futuro sustentável, o relatório indica que é necessária uma forte ação para proteger os mais vulneráveis da nossa sociedade, uma vez que a pobreza está frequentemente associada à vivência em más condições ambientais e em más condições de saúde. Todas estas relações devem ser tomadas em conta numa abordagem integrada para uma Europa mais inclusiva e sustentável», afirmou Hans Bruyninckx, Diretor Executivo da AEA.

Principais conclusões

  • A poluição atmosférica continua a ser a principal ameaça ambiental para a saúde na Europa, com mais de 400 000 mortes prematuras provocadas pela poluição atmosférica todos os anos na UE. A poluição sonora surge em segundo lugar, contribuindo para 12 000 mortes prematuras, seguida dos impactos das alterações climáticas, nomeadamente as vagas de calor.
  • Os encargos com a poluição e as alterações climáticas variam entre os diferentes países na Europa, com diferenças claras entre os países do Leste e do Oeste da Europa. A percentagem mais elevada de mortes a nível nacional (27 %) atribuída às condições ambientais regista-se na Bósnia-Herzegovina e a mais baixa regista-se na Islândia e na Noruega, com 9 % das mortes atribuídas a esta causa.
  • As comunidades socialmente carenciadas confrontam-se normalmente com o triplo fardo da pobreza, de ambientes de má qualidade e de más condições de saúde. As comunidades mais pobres estão frequentemente expostas a níveis de poluição e ruído mais elevados e a temperaturas elevadas, sendo que as condições de saúde pré-existentes aumentam o grau de vulnerabilidade aos riscos ambientais para a saúde. É necessário adotar medidas específicas para melhorar as condições ambientais para os mais vulneráveis na Europa.
  • As pessoas estão permanentemente expostas a múltiplos riscos, incluindo a poluição atmosférica, da água e sonora, além da exposição a produtos químicos, que, de forma combinada, têm, em alguns casos, um impacto cumulativo na saúde. As cidades europeias são particularmente vulneráveis a estas múltiplas ameaças, tendo também menos acesso a espaços verdes e azuis.
  • Estão atualmente a ser realizados estudos de investigação para analisar as ligações entre a atual pandemia da COVID-19 e as dimensões ambientais. Pensa-se que o vírus que está na origem da COVID-19 tenha «saltado de espécies» de animais para seres humanos, o que poderá ter resultado da pressão exercida nos nossos sistemas naturais em virtude de um  aumento do consumo. No que se refere ao impacto da COVID-19 nas comunidades, as primeiras evidências sugerem que a poluição atmosférica e a pobreza podem estar relacionadas com o aumento das taxas de mortalidade. De acordo com uma avaliação inicial do relatório, ainda é necessário realizar mais estudos para clarificar estas interações.

Melhor integração das políticas e mais espaços verdes e azuis são partes  essenciais da solução

O relatório salienta que é necessário adotar uma abordagem integrada das políticas ambientais e de saúde para fazer face aos riscos ambientais, proteger os mais vulneráveis e colher plenamente os benefícios que a natureza oferece em prol da saúde e do bem-estar.

Uma natureza saudável é um mecanismo fundamental para garantir a saúde pública, reduzir as doenças e promover a boa saúde e o bem-estar. As soluções verdes oferecem um triplo benefício para a saúde, a sociedade e o ambiente. A existência de espaços verdes e azuis de qualidade nas zonas urbanas contribui para melhorar a saúde e o bem-estar, oferecendo um meio propício à prática de atividades físicas e de lazer e à integração social, com grandes benefícios para as comunidades pobres. Os espaços verdes e azuis permitem arrefecer as cidades durante as vagas de calor, facilitar o escoamento das águas de inundações, reduzir a poluição sonora e fomentar a biodiversidade urbana. Durante a pandemia da COVID-19, muitos comentadores notaram uma renovada valorização dos benefícios para a saúde mental e o bem-estar proporcionados pelo acesso aos espaços verdes e azuis, especialmente nas áreas urbanas.

Na UE, o Pacto Ecológico Europeu representa uma mudança de orientação crucial na agenda política europeia e define uma estratégia sustentável e inclusiva para melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas, cuidar da natureza e não deixar ninguém para trás.

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