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Os plásticos são uma preocupação ambiental e climática crescente: como pode a Europa reverter esta tendência?

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Notícias Publicado 2021-01-28 Modificado pela última vez 2021-01-28
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Photo: © Jonathan Chng on Unsplash
A quantidade cada vez maior de plásticos, o seu impacto na biodiversidade e a sua contribuição para as alterações climáticas, bem como a forma de lidar com esta situação na perspetiva de uma economia circular, são questões que figuram na agenda política da União Europeia desde há anos. A pandemia de COVID-19 mais não fez do que aumentar atenção dada aos resíduos de plástico, com imagens de máscaras de proteção nos oceanos e grandes quantidades de equipamento de proteção descartável. No relatório sobre a economia circular dos plásticos publicado hoje, a Agência Europeia do Ambiente (AEA) analisa a necessidade e o potencial de uma transição para uma abordagem circular e sustentável à utilização dos plásticos.

Os desafios colocados pelos plásticos devem-se, em larga medida, ao facto de os nossos sistemas de produção e consumo não serem sustentáveis. A pandemia de COVID-19 e as alterações climáticas amplificaram a atenção pública para a crise dos resíduos de plástico que enfrentamos.

Hans Bruyninckx, Diretor Executivo da AEA

 

Apesar de a consciência, a preocupação e a ação sobre a forma como descartamos os plásticos no ambiente marinho e noutros sítios terem aumentado enormemente nos últimos anos, há muitos outros tipos de impacto menos conhecidos, designadamente a contribuição para as alterações climáticas e os novos desafios relacionados com a pandemia de COVID-19, segundo o relatório da AEA intitulado Plastics, the circular economy and Europe′s environment — A priority for action (Plásticos, economia circular e ambiente na Europa — uma prioridade para a ação).

O relatório analisa a produção, o consumo e comércio dos plásticos, bem o seu impacto ambiental e climático ao longo do seu ciclo de vida e explora a transição para uma economia circular dos plásticos através de três vias que envolvem os decisores políticos, a indústria e os consumidores.

«Os desafios colocados pelos plásticos devem-se, em larga medida, ao facto de os nossos sistemas de produção e consumo não serem sustentáveis. A pandemia de COVID-19 e as alterações climáticas amplificaram a atenção pública para a crise dos resíduos de plástico que enfrentamos. É evidente que a melhor via a seguir é a transição para uma economia de plásticos fundamentalmente sustentável e circular, em que utilizamos os plásticos de forma muito mais racional e os reutilizamos e reciclamos melhor. Além disso, a produção de plásticos a partir de matérias-primas renováveis deve ser o ponto de partida», declarou Hans Bruyninckx, Diretor Executivo da AEA.

O relatório mostra que a produção, a utilização e o comércio de plásticos continuam a aumentar. São cada vez mais as políticas e iniciativas da UE em vigor para responder aos desafios colocados pelos plásticos, em particular os produtos de plástico de utilização única. Em 2018, a Comissão Europeia apresentou a primeira estratégia integral sobre os plásticos numa economia circular à escala mundial, a qual define a abordagem adotada pela UE para responder aos problemas que estes materiais representam, a que se seguiu a adoção da Diretiva relativa aos plásticos de utilização única, em 2019.

O relatório da AEA assinala três vias a seguir: a utilização mais inteligente dos plásticos, o reforço da sua circularidade e utilização de matérias-primas renováveis. Em conjunto, estas vias podem-nos ajudar a conseguir um sistema sustentável e circular para os plásticos. Para além do relatório, foram igualmente publicados hoje doisbriefingsrelacionados: um sobre plásticos e têxteis e outro sobre a promoção de modelos de negócio circulares.

 

Pandemia de COVID-19 e plásticos

A pandemia devida ao coronavírus provocou alterações na produção, no consumo e no descarte de plásticos. As máscaras de plástico desempenham um papel vital na limitação da disseminação da COVID-19. Contudo, o aumento súbito dos resíduos de plástico devido à procura de máscaras e luvas, combinado com a alteração da produção e utilização de produtos de plástico de utilização única, tais como recipientes para venda de comida feita e embalagens de plástico para vendasonline, podem pôr em perigo, a curto prazo, os esforços da UE para reduzir a poluição pelos plásticos e efetuar a transição para um sistema mais sustentável e circular dos plásticos.

 

A produção de plásticos pela indústria contribui para as alterações climáticas

O consumo e a produção de plásticos requerem a utilização de uma elevada quantidade de combustíveis fósseis, o que tem consequências negativas para o ambiente e alterações climáticas. Para agravar o problema, a redução da atividade económica provocou uma queda abrupta no preço do petróleo a nível mundial, fazendo com que a produção de plásticos a partir de materiais fósseis virgens seja significativamente mais barata do que a utilização de materiais plásticos reciclados. Se a produção e a utilização de plásticos continuarem a crescer de acordo com as previsões, a indústria dos plásticos será responsável pela utilização de 20 % do petróleo a nível mundial em 2050, um aumento em relação aos atuais 7 %.

Segundo o relatório, os dados do inventário de gases com efeito de estufa da AEA mostram que as emissões anuais ligadas à produção de plástico na UE são responsáveis por 13,4 toneladas de CO2, ou cerca de 20 % das emissões da indústria química a nível da UE. A viabilidade económica do mercado de reciclagem de plásticos europeu e mundial está, atualmente, sob uma pressão significativa. A quebra da procura de plásticos reciclados no mercado também complicou os esforços de muitos municípios europeus em matéria de sustentabilidade das suas práticas de gestão de resíduos e estão a ser utilizadas opções menos desejáveis de eliminação de resíduos para quantidades significativas de resíduos de plástico.

Figure: the environmental impacts across the life cycle of plastics

 The environmental impacts across the life cycle of plastics


SourceEEA, 2020

Têxteis sintéticos, um problema crescente

Uma parte do problema dos plásticos são os têxteis de fibras sintéticas, tais como o poliéster e o náilon. De acordo com outrobriefingda AEA que analisa os plásticos nos têxteis, os consumidores europeus descartam anualmente cerca de 5,8 milhões de toneladas de têxteis — aproximadamente 11 kg por pessoa — dos quais cerca de dois terços são compostos por fibras sintéticas. De acordo com os dados disponíveis de 2017, os lares europeus consumiram cerca de 13 milhões de toneladas de produtos têxteis (roupa, calçado e roupa de casa). Os têxteis produzidos à base de plástico representam cerca de 60 % dos têxteis de roupa e de 70 % dos têxteis de roupa de casa. A promoção da escolha de fibras sustentáveis e o controlo das emissões de microplásticos, bem como a melhoria da recolha seletiva, da reutilização e da reciclagem poderão melhorar a sustentabilidade e a circularidade dos têxteis sintéticos numa economia circular.

 

Modelos de negócio circulares podem ajudar a combater a produção e o consumo insustentáveis de plásticos

A alteração dos modelos de negócio tradicionais para os tornar mais circulares suscita cada vez mais interesse e apresenta oportunidades de rendimento, permitindo a reutilização de materiais e produtos e a sua manutenção na economia durante o maior tempo possível. Nobriefingda AEA intitulado A framework for enabling circular business models in Europe (Um quadro para permitir modelos de negócio circulares na Europa), que foi também hoje publicado, são identificadas as ações que podem ser levadas a cabo para implementar, de forma eficaz, modelos de negócio circulares. O documento também identifica os fatores que permitem a sua escalabilidade, como parte integrante da transição esperada para uma economia circular. Esta transição irá necessitar da implementação de políticas de apoio adequadas e da adoção de comportamentos que conduzam à mudança nos modos de consumo e na educação.

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