Sobre a biodiversidade
A humanidade é ela própria parte da biodiversidade e a nossa existência seria impossível sem ela. Qualidade de vida, competitividade económica, emprego e segurança, tudo depende deste capital natural. Biodiversidade é fundamental para os "serviços ecossistémicos", ou seja, os serviços que a natureza fornece: regulação do clima, da água e do ar, fertilidade dos solos e produção de alimentos, combustível, fibras e medicamentos. A biodiversidade é essencial para manter a viabilidade da agricultura e das pescas a longo prazo e é a base de muitos processos industriais e da produção de novos medicamentos.
Na Europa, a actividade humana tem moldado a biodiversidade desde a expansão da agricultura e da produção animal, há mais de 5000 anos. As revoluções agrícola e industrial deram origem a profundas e rápidas mudanças na utilização dos solos, na intensificação da agricultura, na urbanização e no abandono das terras que, por seu turno, resultaram no desaparecimento de muitas práticas (por exemplo, métodos agrícolas tradicionais) que ajudavam a preservar a riqueza das paisagens em biodiversidade.
O elevado consumo e produção de resíduos por pessoa da Europa significa que o nosso impacto nos ecossistemas se estende muito para além do nosso continente. Os estilos de vida europeus dependem significativamente da importação de recursos e bens de todos os cantos do mundo, encorajando muitas vezes a exploração dos recursos naturais. Esta situação leva à perda de biodiversidade que, por seu turno, reduz o capital de recursos naturais no qual se baseia o desenvolvimento económico e social.
Não pode existir propósito mais inspirador do que o de começar a idade da restauração, tecendo novamente a maravilhosa diversidade de vida que ainda nos rodeia.
Edward O. Wilson, 'The Diversity of Life', 1992
A perda de biodiversidade está inextrincavelmente ligada à degradação dos serviços ecossistémicos que suportam a vida na Terra. O Relatório de Avaliação dos Ecossistemas do Milénio, de 2005, avaliou globalmente 24 serviços ecossistémicos e concluiu que 15 desses serviços ficaram degradados, afectando as pescas, a produção de madeira, o abastecimento de água, o tratamento de resíduos e a descontaminação, a purificação da água, a protecção contra os perigos naturais e a regulação da qualidade do ar. O relatório Situações e Perspectivas de 2005 da AEA e a sua quarta avaliação do ambiente na região pan-europeia mostram que, aparentemente, a UE não está a fazer progressos na consecução do objectivo que consiste em travar a perda de biodiversidade na região até 2010.
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