Sobre poluição atmosférica
A poluição atmosférica não é um problema meramente local, sendo também transfronteiriço. Os poluentes atmosféricos libertados num país podem ser transportados na atmosfera e prejudicar a saúde humana e o ambiente noutra região.
Dois poluentes, as partículas em suspensão e o ozono troposférico , são agora geralmente reconhecidos como mais os significativos em termo de impactos na saúde. A exposição máxima e a exposição a longo prazo podem dar origem a uma variedade de efeitos na saúde, desde efeitos mínimos no sistema respiratório até à mortalidade prematura. Desde 1997, até 45 % da população urbana europeia pode ter estado exposta a concentrações de partículas em suspensão no ambiente acima do limite estabelecido a nível comunitário para proteger a saúde humana e até 60 % pode ter estado exposta a níveis de ozono superiores ao valor-limite estabelecido a nível comunitário. Estima-se que a exposição a PM2.5 (partículas em suspensão) presentes no ar é responsável por uma redução de mais de oito meses da esperança de vida estatística na União Europeia.
Nas últimas décadas, a Europa efectuou progressos consideráveis no que respeita à limpeza do ar que respiramos, mas a poluição atmosférica continua a ser um problema grave e a prejudicar a nossa saúde e o ambiente.
Stavros Dimas, Comissário Europeu para o Ambiente
A poluição atmosférica também prejudica o nosso ambiente, provocando:
- Acidificação — desde 1990, e ainda mais desde 1980, ocorreram reduções substanciais em áreas de ecossistemas sensíveis sujeitas a deposição de acidez excessiva. Todavia, a área sujeita a deposição ácida superior às suas cargas críticas em 2010 será ainda cerca de 10% superior à área do ecossistema natural dos 32 países membros da AEA (AEA-32);
- Eutrofização — têm sido conseguidos menos progressos na redução da eutrofização. Mais de 40 % das áreas de ecossistemas sensíveis são sujeitas a deposição de azoto superior às suas cargas críticas;
- Danos nas colheitas — a maior parte das colheitas agrícolas está sujeita a níveis de ozono que excedem os objectivos comunitários a longo prazo destinados a proteger a vegetação dos efeitos prejudiciais do ozono. Uma percentagem significativa, em especial no sul, centro e leste da Europa, está exposta a níveis de ozono acima do valor-limite estabelecido pela UE.
As fontes de poluição atmosférica são variadas e podem ser antropogénicas (produzidas pelo homem) ou naturais. As principais fontes antropogénicas são:
- a queima de combustíveis fósseis para a produção de electricidade, transportes, indústria e habitações;
- os processos industriais e a utilização de solventes, por exemplo, nas indústrias química e de extracção;
- a agricultura; e
- o tratamento de resíduos.
A variabilidade das condições meteorológicas e o crescente problema do transporte de longo curso de poluentes atmosféricos a partir de outros países do hemisfério norte pode explicar, em parte, o motivo pelo qual a qualidade do ar na União Europeia não melhorou significativamente desde o final da década de 1990, apesar de as emissões dos principais poluentes atmosféricos terem diminuído.
