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Como tornar as cidades «verdes»

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Mais de três quartos dos europeus vivem em zonas urbanas. O que a população urbana produz, compra, come e deita fora, o modo como circula e os locais onde vive são aspetos que têm impacte no ambiente. Ao mesmo tempo, a maneira como uma cidade está construída também afeta o modo como os seus habitantes vivem. Entrevistámos Roland Zinkernagel, da Câmara Municipal de Malmö, na Suécia, sobre as medidas concretas que foram tomadas para tornar a sua cidade sustentável.

 Image © Jacob Härnqvist, Asa Hellstrom

O que torna uma cidade sustentável?

As cidades são centros de atividade económica e social. Podem crescer ou entrar em declínio. Não existe uma solução única e universal para tornar as cidades sustentáveis. É necessário ter em conta diversos aspetos da vida urbana. Não se trata apenas de criar espaços verdes, atrair empresas inovadoras e verdes e desenvolver transportes públicos eficazes. Trata-se de olhar para a cidade na sua globalidade, com particular atenção para o bem-estar dos seus habitantes.

Malmö é uma cidade industrial com cerca de 300 000 habitantes de diversas origens. A cidade tem edifícios altos construídos na década de 1960 e vivendas familiares com jardins. Também conta com bairros novos, onde tentámos construir a cidade do futuro: livre de carbono, compacta e verde.

Após o encerramento do seu grande estaleiro, no início da década de 1980, a população de Malmö começou a diminuir, principalmente devido às elevadas taxas de desemprego. Foi necessário bastante tempo para substituir esta imagem negativa da cidade por outra mais positiva: um ambiente agradável para viver, uma precursora de políticas e sensibilização ambientais , uma cidade promotora do comércio justo, verde e limpa, etc.

Como é que uma cidade se pode tornar sustentável?

A Câmara de Malmö traçou os seus objetivos ambientais gerais num programa a longo prazo acordado com todos os partidos políticos. O programa ambiental prevê que a administração da cidade de Malmö alcance a neutralidade climática até 2020 e que, até 2030, todo o município passe a utilizar apenas fontes de energia renováveis. Também foram fixadas metas de redução do consumo de energia per capita, bem como de emissão de gases com efeito de estufa.

O programa ambiental também prevê uma utilização mais sustentável dos recursos, incluindo a água, o solo e a biodiversidade existentes na cidade ena região em que está inserida. Também pretendemos criar um ambiente mais agradável para todos os que lá vivem, ou seja, ajudar a criar a cidade do futuro.

Como é que esses objetivos se traduzem em projetos concretos?

Com base no programa ambiental, a Câmara Municipal de Malmö adota planos de ação com metas mais específicas. Por exemplo, uma das metas concretas do nosso plano de ação determina que, até 2015, 40 % dos resíduos orgânicos sejam utilizados na produção de biogás. Um objetivo concreto como este exige medidas a diversos níveis e em várias etapas.

É necessário que os lares separem uma percentagem crescente dos seus resíduos. As autoridades responsáveis pela gestão de resíduos têm de se preparar para recolher maiores quantidades de resíduos orgânicos. E, por último, para converter a quantidade crescente de resíduos orgânicos em biogás, necessitamos de novas instalações ou de aumentar a capacidade das instalações existentes.

Algumas metas, como o aumento das taxas de separação dos resíduos nos lares, podem ser atingidas através de campanhas de informação. Outras podem exigir investimentos em infraestruturas, incluindo frotas de recolha de resíduos e centrais de produção de energia.
Tal como neste exemplo, uma meta concreta exige o envolvimento de múltiplos intervenientes. Para materializar estes projetos, mantemos e necessitamos de manter um diálogo constante com a sociedade civil, as instituições públicas e o setor privado. Muitos dos nossos projetos recebem fundos da União Europeia.

Como participam ou contribuem os habitantes?

Uma componente essencial do nosso programa ambiental é aquilo a que chamamos «facilitar um comportamento adequado». É necessário oferecermos às pessoas a possibilidade de optarem por alternativas mais sustentáveis, ou seja, facilitando a utilização dos transportes públicos e melhorando a gestão de resíduos.

Quanto à mudança de comportamentos, a informação é fundamental. A nossa abordagem assenta na ideia de capacitar os nossos munícipes para tomarem decisões esclarecidas. Levá-los a refletir sobre o que significa para a qualidade do ar e o trânsito na cidade o uso do automóvel particular em vez do transporte público?

Um dos nossos objetivos é tornar a cidade socialmente sustentável, com mais interação entre as pessoas que vivem nas diversas zonas. Isto implica a criação de espaços e oportunidades para os habitantes de Malmö se reunirem, nomeadamente espaços verdes ou festivais. Contribui também para promover uma imagem positiva da cidade, além de melhorar o ambiente em que as pessoas vivem.

Recycling boxes

(c) Daniel Skog

Quanto tempo é preciso para transformar uma cidade como Malmö numa cidade totalmente sustentável?

Cada cidade parte de um nível diferente. Isso depende das infraestruturas, das prioridades e dos objetivos políticos existentes. Malmö tem uma vantagem em relação à maioria das cidades europeias: esta visão virada para o futuro está a ser aplicada desde a década de 1990. Em consequência, algumas partes da cidade já foram construídas e desenvolvidas de acordo esta visão.

Referimo-nos a projetos muito concretos e a problemas específicos, e compreendemos melhor as tarefas que temos em mãos. Neste sentido, estamos entre os precursores desta prática na Europa.

Nos bairros onde intervimos há 15 anos, podemos ver que o programa já adquiriu o seu próprio impulso. Alguns projetos, como a separação e a reciclagem, podem demorar 5 a 10 anos a implementar, mas a perceção do público pode demorar até uma geração a mudar. Outros casos, incluindo a transformação dos edifícios existentes, podem exigir ainda mais tempo.

É certo que a transição se faz em pequenos passos. As autoridades públicas desempenham um papel importante na sua promoção, não só criando o respetivo enquadramento, mas também sendo as primeiras a dar o exemplo.

Quais são os principais desafios?

Na minha opinião, o maior desafio é planear a longo prazo, ou seja, irmos além do planeamento a curto/médio prazo. Os políticos são eleitos para cumprirem mandatos de quatro ou cinco anos e as suas prioridades políticas podem mudar após as eleições ou até durante o seu mandato. O mesmo se aplica às empresas. Uma decisão de investimento depende do retorno que poderão obter e em que prazo. Quando falamos em construir cidades sustentáveis, estamos na verdade a olhar para muitos elementos diferentes, como já referi.

É necessário fazermos planos e prepararmo-nos para um horizonte muito além dos nossos planos de ação a 5 ou 10 anos. Por exemplo, os edifícios que estamos a construir agora ainda poderão ser utilizados em 2100. Estaremos a ter em conta as futuras necessidades de energia ou de utilização dos edifícios quando os concebemos? Devemos ser simultaneamente visionários e flexíveis. Podem não existir ainda respostas claras para estas perguntas, mas sem dúvida que vale a pena refletir sobre elas.

Roland Zinkernagel

Roland Zinkernagel

Roland Zinkernagel trabalha no departamento de ambiente da Câmara Municipal de Malmö.

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