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Economia: eficiente na utilização dos recursos, verde e circular

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O nosso bem-estar depende da utilização dos recursos naturais. Extraímos recursos e transformamo-los em alimentos, edifícios, mobiliário, aparelhos eletrónicos, vestuário, etc. No entanto, a exploração que fazemos dos recursos ultrapassa a capacidade do ambiente para os regenerar e nos sustentar. Como poderemos assegurar o bem-estar da nossa sociedade a longo prazo? Tornar a economia mais verde será sem dúvida uma grande ajuda.

O bem-estar não é fácil de definir ou medir. Muitos de nós mencionaríamos a saúde, a família e os amigos, a segurança pessoal, a vida num ambiente agradável e saudável, a satisfação com o emprego e um rendimento que assegure um bom nível de vida, como fatores que contribuem para o nosso bem-estar.
Embora com variações de pessoa para pessoa, as preocupações económicas - ter um emprego, um rendimento digno, usufruir de boas condições de trabalho desempenham um papel importante no nosso bem-estar. Fatores como a segurança no emprego ou o desemprego assumem particular importância em períodos de crise económica e podem afetar o moral e o bem-estar da sociedade em geral.
É evidente que necessitamos de uma economia que funcione bem e nos proporcione não só os bens e serviços de que necessitamos, mas também os empregos e rendimentos que nos proporcionem um determinado nível de vida.
A economia depende do ambiente
O bom funcionamento de uma economia depende, entre outros fatores, do fluxo ininterrupto de recursos e materiais naturais, como a madeira, a água, as culturas agrícolas, o peixe, a energia e os minerais. Efetivamente, a rotura no abastecimento de materiais chave pode fazer parar os setores que delas dependem e obrigar as empresas a despedirem trabalhadores ou a deixarem de fornecer bens e serviços.
Para dispormos desse fluxo ininterrupto temos de poder extrair toda a quantidade que quisermos. Mas será que o podemos fazer realmente? Ou, se o fizermos, de que forma iremos afetar o ambiente? Que quantidade poderemos efetivamente extrair sem prejudicar o ambiente?
A verdade é que já estamos a extrair demasiado, mais do que o nosso planeta pode produzir ou regenerar num determinado período. Alguns estudos indicam que nos últimos cem anos o consumo mundial de materiais per capita duplicou e que o da energia primária triplicou. Por outras palavras, cada um de nós está a consumir aproximadamente o triplo da energia e o dobro dos materiais que os nossos antepassados consumiam em 1900. E, ainda por cima, somos agora mais de 7,2 mil milhões de pessoas a fazê-lo, enquanto em 1900 eram apenas 1,6 mil milhões.
Este ritmo de extração e a forma como utilizamos os recursos estão efetivamente a reduzir a capacidade do nosso planeta para nos sustentar. Veja-se o exemplo dos stocks pesqueiros. A sobrepesca, a poluição e as alterações climáticas afetaram gravemente essas populações em todo o mundo. Muitas comunidades costeiras que antes dependiam da pesca tiveram de investir noutros setores, como o turismo, e as que não conseguiram diversificar a sua economia atravessam grandes dificuldades.
De facto, as nossas atividades económicas estão a causar uma grande variedade de impactes ambientais e sociais. A poluição atmosférica, a acidificação dos ecossistemas, a perda de biodiversidade e as alterações climáticas são problemas ambientais que afetam gravemente o nosso bem-estar.
Mais verde e eficiente em termos de recursos
Para preservarmos o ambiente e continuarmos a colher os benefícios que ele nos proporciona, impõe-se reduzir a quantidade de materiais extraídos. Isto exige que alteremos a forma como produzimos os bens e serviços e consumimos os recursos materiais. Em suma, temos de tornar a nossa economia mais verde.
Embora esse termo tenha várias definições, entende-se geralmente por «economia verde» uma economia em que todas as escolhas de produção e consumo são feitas tendo em conta o bem-estar da sociedade e a saúde global do ambiente. Em termos mais técnicos, é uma economia em que os recursos são utilizados de forma eficiente, reforçando o bem-estar humano numa sociedade inclusiva e conservando, simultaneamente, os sistemas naturais que nos sustentam.
A União Europeia já adotou objetivos estratégicos e programas de ação concretos para tornar a sua economia mais sustentável. A «Estratégia Europa 2020» visa promover um crescimento inteligente, sustentável e socialmente inclusivo. As suas prioridades são o emprego, a educação e a investigação, mas também o estabelecimento de uma economia hipocarbónica com metas climáticas e energéticas.
A estratégia identifica iniciativas emblemáticas para alcançar tais metas. A iniciativa emblemática «Uma Europa eficiente em termos de recursos» desempenha um papel central na política da UE neste domínio, tendo sido adotados vários pacotes legislativos com o intuito de realizar os seus objetivos.
Mas o que é preciso fazer para tornar a economia da União Europeia eficiente em termos de recursos? Em poucas palavras, temos de produzir e consumir de modo a otimizarmos a utilização de todos os recursos envolvidos. Para isso necessitamos de criar sistemas de produção que gerem cada vez menos resíduos ou que produzam um maior número de bens utilizando menos fatores de produção.
Considerar os sistemas no seu todo, não por setores
Também é necessário tomarmos em consideração os sistemas inteiros e não apenas cada setor. Um sistema engloba todos os processos e infraestruturas relacionados com um recurso ou uma atividade e que são essenciais para as atividades humanas. Por exemplo, o sistema energético inclui os tipos de energia que utilizamos (carvão, eólica, solar, petróleo, gás natural, etc.), a forma como extraímos ou geramos essa energia (turbinas eólicas, poços de petróleo, gás de xisto, etc.), onde a utilizamos (indústria, transportes, aquecimento residencial, etc.) e como a distribuímos. Deve ter igualmente em conta outras questões, como os recursos terrestres e hídricos afetados pelo consumo e a produção de energia.
Entrada de materiais; saída de produtos e resíduos
Para produzir um bem ou um serviço, necessitamos de fatores de produção. Por exemplo, para produzir culturas agrícolas, para além do seu trabalho, os agricultores necessitam de terra, sementes, água, sol (energia), ferramentas e, na agricultura moderna, adubos e pesticidas, bem como ferramentas mais sofisticadas. O mesmo se aplica, de forma mais ou menos idêntica, à indústria transformadora moderna. Para produzir aparelhos eletrónicos, continuamos a necessitar de mão-de-obra e também de energia, água, terra, minerais, metais, vidro, plásticos, terras escassas, investigação, etc.
A maior parte dos materiais utilizados na produção na União Europeia são também extraídos no seu território. Em 2011, utilizaram-se 15,6 toneladas de materiais per capita como fatores de produção na UE, das quais 12,4 toneladas foram extraídas na União e as restantes 3,2 toneladas importadas.
Uma pequena parte desses materiais foi exportada e o resto — 14,6 toneladas per capita — foi utilizada para consumo na UE. O consumo de materiais varia muito consoante os países. Por exemplo, em 2011 os finlandeses consumiram mais de 30 toneladas per capita, enquanto os malteses não foram além das 5 toneladas per capita.
Na última década, a economia da UE criou mais «valor acrescentado» em termos de Produto Interno Bruto por cada unidade de material (minerais, metais, etc.) consumido. Por exemplo, utilizando a mesma quantidade de metais, a economia produziu telefones móveis ou computadores portáteis mais «valiosos» (ou seja, «com mais valor») do que os seus antecessores. É a chamada produtividade dos recursos. Na União, essa produtividade de recursos aumentou cerca de 20%: de 1,34 EUR para 1,60 EUR por kg de materiais entre 2000 e 2011. A economia cresceu 16,5 % no mesmo período.
Alguns países europeus têm uma produtividade de recursos relativamente elevada. Em 2011, a Suíça, o Reino Unido e o Luxemburgo criaram mais de 3 EUR de valor acrescentado por quilograma de materiais, enquanto a Bulgária, a Roménia e a Letónia criaram menos de 0,5 EUR de valor por quilograma. A produtividade dos recursos está estreitamente ligada à estrutura económica do país em causa. A existência de setores de serviços e de tecnologia do conhecimento fortes, bem como de taxas de reciclagem elevadas tende a aumentar a produtividade dos recursos.
Economia circular
Os atuais processos de produção e consumo não produzem apenas bens e serviços. Também produzem resíduos. Estes podem assumir a forma de poluentes libertos para o ambiente, restos de materiais (madeira ou metais) não utilizados, ou alimentos que por qualquer razão não são consumidos.
O mesmo acontece com os produtos que chegam ao fim da sua vida útil. Alguns podem ser parcialmente reciclados ou reutilizados, mas outros acabam por ser depositados em lixeiras e aterros ou incinerados. Visto terem sido utilizados recursos para produzir esses bens e serviços, qualquer parcela dos mesmos que não seja usada representa efetivamente um potencial prejuízo económico, bem como um problema ambiental.
Os europeus produziram, em média, cerca de 4,5 toneladas de resíduos per capita em 2010. Aproximadamente metade desta quantidade é reintroduzida no processo de produção.
O termo «economia circular» refere-se a um sistema de produção e consumo que gera o mínimo de perdas possível. Num mundo ideal, quase tudo seria reutilizado, reciclado ou valorizado para produzir outros bens. A reformulação dos produtos e processos de produção poderia ajudar a minimizar os resíduos e a transformar a parcela não utilizada num recurso.
Pessoas e ideias empresariais
O consumidor e o produtor são agentes igualmente importantes para tornar a nossa economia mais verde. O processo de produção está orientado para oferecer aquilo que os consumidores querem. Mas será que queremos possuir mais produtos de consumo, ou apenas desejamos os serviços que os produtos proporcionam?
Cada vez mais empresas estão a adotar abordagens empresariais denominadas «consumo colaborativo». Este permite que os consumidores satisfaçam as suas necessidades através de sistemas de aluguer e modalidades de partilha de produtos e serviços, em vez da sua compra. Para isso pode ser necessário adotar uma nova forma de pensar a comercialização e a conceção de produtos — menos centrada nas vendas e mais focada na produção de produtos duradouros e que possam ser reparados.
A Internet e as redes sociais tornam os produtos e serviços de consumo colaborativo mais fáceis de encontrar e utilizar. Essa prática não tem de estar obrigatoriamente limitada a pedir ferramentas emprestadas aos vizinhos, reservar um automóvel num sistema de partilha de viaturas ou alugar aparelhos eletrónicos. Em alguns países da União Europeia, também já existem «bibliotecas» de vestuário, onde os utilizadores podem pedir roupas emprestadas.

Qualquer medida destinada a reduzir a extração de novos materiais e a quantidade de resíduos, incluindo o aumento da produtividade dos recursos, a reciclagem e a reutilização, alivia a pressão sobre o ambiente e expande a capacidade que os nossos ecossistemas têm de nos sustentar. Quanto mais saudável for o nosso ambiente, mais prósperos e saudáveis seremos.

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